domingo, 22 de setembro de 2013

Não temos wifi


Tenho me perguntado qual o futuro da comunicação das relações. Onde vamos chegar, como vai ser e o que nos espera na próxima esquina, digo, milênio. Em termos de tecnologia vejo que caminhamos a passos largos, e que passos, porque a geração que vem por aí já está com um chip embutido sei lá onde, pois é praticamente uma mistura de Steve Jobs com Einstein. Deus, geramos mini gênios! Por essa, Stanley Kubrick não imaginava. Meus questionamentos são sobre o olho no olho.
No meu manual de instruções de vida, praticado há anos na minha família, coisa de herança mesmo, sabe? Passado de mãe para filha, coisa séria. Pois bem, nessa cartilha a conversa faz parte dos relacionamentos, sejam eles quais forem. Um papo aberto no pé da orelha com um filho, amigo ou parceiro é tão importante quanto à conversa com o cachorro de estimação ou o chefe. O importante é conversar pessoalmente, de corpo presente e cabeça principalmente. Porque cá pra nós, o que tem de gente que faz figuração de si mesmo, não tá no mapa, né? Nem no Google maps! Só pra ficar na seara moderna e tecnológica atual!!
Minha preocupação se baseia em cenas cotidianas que tenho, infelizmente, diga-se de passagem, assistido. E eu falei no plural, atentem! Famílias sentadas à mesa de algum restaurante sem dar um pio, nem grunhido nem nada. Diálogo então nem pensar! Sabe aquela coisa antiquada de um fala e o outro responde? É isso. Ou era. Pois agora é assim: cada membro com um celular na mão em estado de pura concentração e foco – no aparelho! Silêncio perturbador. E comida fria, muito provavelmente!
Acho deprimente, acho um prejuízo de tempo e de dinheiro também, porque não. Se for para ficar grudado no telefone, fiquem em casa e façam um macarrão instantâneo, ora bolas. Mas essa não é a pior parte, para mim é a falta de assunto mesmo. As pessoas estão deixando a intimidade de lado para verificar email, mandar mensagens e dar uma olhada nas últimas notícias das redes sociais.
O que é isso companheiro? O que vai acontecer com os relacionamentos? Essa mudança de prioridades me preocupa muito. Rolar o dedo na telinha do telefone acabou tomando lugar do contato entre as pessoas, do encontro. Imagino que as relações serão seriamente comprometidas. Desde quando o celular passou a ocupar esse espaço sagrado do olhar, da voz, da intenção? Eu perdi esse bonde, definitivamente. Ainda bem.
A vida já é tão corrida com tantos afazeres, as famílias são tão compromissadas e, mesmo assim, as pessoas não se dão conta da vantagem e do privilégio de encontrar-se em uma mesa de refeições. Uma mesa familiar é tudo! Metaforicamente dá para afirmar que a vida passa pela mesa. Entre uma garfada, um café ou um soco todas as emoções estão naquela mesa. E naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele dói demais em mim. O poeta só não podia prever que seria praticamente uma mãe Diná e o “ele”, no caso, seria o papo. E papo vai, papo vem... papo foi. Acabou.
 Saudades de uma boa família italiana de filme, daquelas em que todos gritam, brigam e gesticulam muito diante de uma macarronada da mama. Cartas na mesa, sempre, mesmo que seja dentro de um estabelecimento comercial, grande coisa, quem se importa. A cena agora é entrar no restaurante e antes de tudo verificar se tem wireless. Muito mais necessário que bom cardápio é estar conectado à rede. Preço? Quem se interessa?! Tem novidades para contar? Vá ler na mensagem, manda por DM ou uatesápe. Corra Lola, corra, que o mundo mudou.
Mas minha família não. E meus amigos também. Todos somos uma grande máfia da boa conversa à mesa. E já vou logo avisando aos navegantes, que aqui não tem wifi, conversem. Ah! E deixem seus celulares na porta de entrada. Não sou besta, vai que tem três G! Apelo: por favor, não troquem suas relações por um blequebéuri!

11 comentários:

  1. Verdade, verdadeira ! Esta cena assistimos hoje em dia em qualquer ambiente, restaurante, sala de espera para uma consulta em médico, dentista, e ate em espera para terapia kkkk. E em aeroportos nem falemos ..... Bjao

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    1. Isso mesmo! Precisamos mudar a cena com urgência, não é? Salvar a conversa! Beijos!!

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  2. Dani, meus PARABÉNS por mais um tema muitíssimo atual e, que nada nem ninguém tem a coragem de ajudar a mudar!!!! O mundo precisa de pessoas como vc , para tentar mudar esta alienação geral! Pelo visto fizeste o teu trabalho, agora é com cada um !!Concordo cem por cento contigo em toda tua crônica e, te parabenizo por teres a coragem de dizer NÃO a estas engenhocas virtuais ,que deviam deixar aos velhos aposentados .Mas, até as crianças atualmente, antes de aprenderem a escrever, já sabem "postar" na internet. Ainda não sabem dizer :por favor, obrigado, com licença, mas já sabem colocar fotos na internet ! Porque é só isto que vêem! Se perguntarmos a uma pessoa, quantos livros vc lê por mês? E por ano ? Seriam capazes de dizer que no mínimo costumam ler 2 por ano? E a cultura onde fica ? Tem gente que não sabe mais escrever, só falar ao telefone! Não há mais comunicação, os laços de família, amizade se estão esfumaçando no tempo perdido com passatempos inúteis .Enfim, Dani , são pessoas como vc , que podem através de seu Blog ,dar tua parte , em tentar mudar algumas atitudes em benefício delas próprias e seus familiares , àquelas pessoas que quizerem dar a volta ,pois ainda é tempo. Bjs Vera

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    1. Super obrigada! Ainda temos tempo de mudar este cenário, não é? Beijos!!

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  3. Dani, somos da turma do barulho no restaurante só da nós celular é só para tir foto um grande beijo Giovana

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  4. Isso aí amiga enquanto existir a turma dos dinossauros" nos" , as risadas, alegrias e amizades estão salvas! E os incomodados que se mudem! Doroty

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    1. Boa! E cada vez nos divertimos mais, não é?! Beijos!!

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  5. Ameiiiii !!! Beijao Camila

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  6. Belas crônicas, Daninha! Saudades das nossas risadas, das nossas conversas "olho no olho", dos nossos choros, das nossas sinceridades, dos nossos muitos momentos"família italiana"...onde e porquê perderam-se? Com orgulho, saudades e amor, Heleninha

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    1. Puxa legal que você está gostando! Continue por aqui! Beijos!

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