sábado, 7 de setembro de 2013

As Bolachas


Li numa revista que os discos LPs estão de volta. Quer dizer, de volta, de volta, não, mas ensaiando uma discretíssima volta através de apreciadores, colecionadores e até alguns fabricantes. Agora sim, ficou bem explicado. Somos nostálgicos mesmo. Ô povo! Na minha casa, mesmo sem aparelho para tocá-los, não nos desfizemos de nenhum disco de vinil. Estão todos lá, cada qual com sua história.
Minha memória pode não ser grande coisa, e não é, mas não me esqueço de como eram os long plays. Músicas dos dois lados divididas em várias faixas. Quando acabava um lado, tínhamos que parar o toca-discos e virar o disco, para tocar as faixas do lado oposto. Lado A e B. Grandes, enormes e pretos, salvo alguns infantis que inovavam em trabalhar na cor, todos eram pretinhos da silva. E sempre tinham aquele plástico para protegê-los.
Lembram como era necessária muita habilidade manual com a agulha? Quase cirúrgica! Crianças eram proibidas de chegar perto da eletrola, poderiam estragar o artefato ou arranhar o disco. Vem daí a expressão “disco arranhado” para aqueles que repetem, repetem, repetem a ladainha, como as músicas de um disco riscado que ficavam inaudíveis. O cuidado era bem extremado, mãos seguras, firmes e, ao mesmo tempo, delicadas! Ouso a dizer, carinhosas.
Veio agora na minha mente os aparelhos três em um: toca-discos, toca-fitas e rádio!!! Todas essas máquinas numa só! Caixas de som grandonas e potentes que mais pareciam um trio elétrico! Show! Eram sinônimos de riqueza pura! Podem acreditar. E pensar que o vinil já foi o máximo da tecnologia! Chocada.
Na minha família adquirir um disco era um evento. Sentávamos na sala para apreciar o artista e a capa passava de mão em mão. Não raro alguém pegava o encarte com as letras das músicas e cantarolava junto com a Maria Bethânia ou Vinicius de Moraes. Toda minha educação musical foi feita através das imensas bolachas, como também chamávamos aqueles discos pretos. Será que em referência as bolachas Maria, pelo formato? Pode ser, não sei. Vou pesquisar no Google e depois te conto.
Mas bem sei que as bolachas me alimentavam com o que tinha de melhor da boa música e das artes visuais. Estou falando das capas! Nesta época, a dos vinis, muitas capas foram produzidas por artistas plásticos. Não é difícil encontrar uma roda de conversa com a turma do passado, falando nas clássicas capas. Até mesmo o expoente da Pop Art, Andy Warhol, fez uma! Um luxo! E as dos Beatles? Sgt. Pepper’s, Revolver, lindas! Pink Floyd com The Dark Side of the Moon fez história! Existem listas de capas icônicas.
Definitivamente os LPs tinham outra alma. Pode até ser que eu tenha perdido o último trem para Woodstock, ou no caso Rock in Rio 1985 já que faz mais sentido, porque no outro eu nem tinha nascido, mas o fato é que a vida é feita de boas lembranças. Boas, muito boas. Memória afetiva é coisa séria. Saudades deste tempo em que os discos significavam mais que simplesmente sentar-se no computador e baixar uma centena de músicas sem esse algo mais. Também sei que é assim que caminha a humanidade, mas como um pendrive pode competir com uma capa? É covardia.
Com o vinil era outra relação, mais pessoal, mais íntima. E esses anos de pirataria então? Chega dar vergonha ver uma capa xerocada com a qualidade mais do que duvidosa, horrorosa! Fico muito feliz em saber que existam heróis da resistência ressuscitando as bolachas. Agora preciso urgente arranjar uma eletrola e quem sabe marcar uma reunião dançante na garagem! Bora fuçar o baú e limpar as teias e as traças!

8 comentários:

  1. Inclusive, nesse ano, teve a Feira do Vinil aqui em Joinville. E que eu saiba tem também uma confraria por aqui.Pelo jeito muita gente vai querer participar dessa reunião dançante! Nao esqueça de me convidar!

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    1. Amiga! Você já está convidada, claro!! Kkk! Legal que você está lendo o blog! Beijos!

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  3. Dani., como não lembrar lá em casa o primeiro disco foi Roberto Carlos, mais o preferido foi Menudo como olhava a capa e sonhava com eles. A quero participar da festa kkkkkk. Beijo Giovana

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    1. Bons tempos né?! Já esta convidada, essa festa vai bombar!!! Beijos!

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  4. Haha... lembrou muito bem da habilidade com o manuseio da agulha ... e coincidentemente parece que junto com o glamour dos LPs, foi embora também a qualidade musical que tínhamos na época, pena! Dani, seu blog está nota 10. Bjs, Deni.

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  5. Haha... lembrou muito bem da habilidade com o manuseio da agulha ... e coincidentemente parece que junto com o glamour dos LPs, foi embora também a qualidade musical que tínhamos na época, pena! Dani, seu blog está nota 10. Bjs, Deni.

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  6. Também quero ser convidada para esta festa na garagem!!! Posso levar a Laranjinha e a rosca de polvilho!! Amiga, você escreve como ninguém, dei boas risadas e fiz altas reflexões sobre o tema, obrigada! Beijos, Camila

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